sábado, 26 de maio de 2012

Apesar...


Choveu na cidade... Apesar da incerteza de uma tarde com tempo firme, saio. Bairro não lindo, longe disso. Escolho a estreita rua que beira o rio (triste rio, que se imprensa entre casas, lixo e casas).

Apesar dos tempos modernos e tecnologias 3 D a rua não tem asfalto... A rua é barro. É lama. Apesar de outras ruas, escolho essa. Quero ir por ela. E não escolhi sozinho, muita gente como eu se equilibra em meio às poças.

Apesar de tudo, uma senhora encosta-se ao muro para ver a tarde caindo... Apesar de tudo, com pés sujos de lama, uma mãe vem ouvindo o filho cheio de histórias da escola... Apesar de tudo, um cabrito devora uma moita de capim à beira do triste rio... Apesar de tudo, duas amigas, provavelmente voltando do trabalho, comentam o que precisam cozinhar para seus maridos e filhos quando chegarem às suas casas... Apesar de tudo, e confesso que vi primeiro o reflexo na água acumulada da chuva, um casal caminha de mãos dadas – “cuidado, aí escorrega!”... Outra criança passa de bicicleta... O carteiro grita “correeeeios!”... A senhora cansada, uma mão nas costas doídas, a outra acenando e com a boca metade sorriso e metade palavras “boa tarde, Carminha!”...

Sempre vai haver poesia... Apesar de tudo! Sempre vai haver poesia... Apesar de tudo!

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